O Estado do Futebol da Venda do Francisquinho
Não temos um estádio. Temos sim um espaço com uma janela de observação privilegiada para o estádio de onde se pode analisar e reflectir o estado do que lá se passa.
Trata-se de um local existente onde se fez uma reabilitação para cativar mais e novos adeptos com o intuito não só de manter mas de aumentar esta Tertúlia Local.
Porquê futebol? Futebol é cor, são as pessoas, envolve um conjunto de situações sociais curiosas, humores e amores leva a que os adeptos gostem de entrar como protagonistas.
Futebol envolve, tudo, desde as pessoas o Homem como protagonista, dinheiro, o social, a sociedade, e até a justiça, une e desune, pode ser solidário, mas também pode ser muito fracturante quando as pessoas se colocam em posições antagónicas guiadas por clubismos exacerbados.
È sabido que a nossa população rural gosta de futebol.
Quem gosta de futebol gosta de ver com os amigos em tertúlia a conversar e a discutir.
Assim, nasceu um espaço temático onde são criadas paredes alusivas aos Clubes principais, decoradas com fotografias mais simbólicas do nosso futebol tais como: estádios, personalidades, equipas e eventualmente alguns casos mais marcantes pela qualidade de jogadas extraordinárias deste desporto, naturalmente que outros desportos poderão ser contemplados.


O mundo é uma bola de futebol
O título em epígrafe é origem do logótipo do “Estado do Futebol”. O mundo rola no seu movimento de translação, a bola desliza no seu jeito de ser rotativa… A bola tanto rola no mundo que o transforma, e já não sei se é o mundo que gira à volta do futebol, ou se é este que gira à volta daquele. Haverá coisa mais universal do que o desporto rei?
Desporto das multidões, o futebol é o ópio do povo e o narcotráfico dos órgãos de comunicação social. O pontapé na bola desperta em nós paixões e ódios de estimação. Mestre Cândido de Oliveira, antigo treinador e seleccionador nacional, sabia do que falava quando escreveu: “O treinador quando ganha é bestial, quando perde é uma besta”. Perdoamos tudo menos a derrota da equipa do nosso coração. Queremos que os nossos jogadores sejam bons de bola e bons da tola. Mas a bola é redonda e o futebol é sempre sujeito à sorte e aos azares da fortuna. Ganhamos, perdemos, outras vezes até estamos a jogar muito bem, mas não marcamos golos… Há dias em que a bola é decididamente quadrada… E, tal como o mundo, a redondinha é mesmo chata nos pólos…
Os jornais desportivos dão diariamente conta do estado da bola, do ânimo dos jogadores, da cultura táctica, do plantel das equipas, dos problemas de meio campo… Somos hooligans passivos em frente ao televisor e passamo-nos dos carretos quando vamos aos estádios. O futebol é a nossa catarse e refresca as nossas ansiedades. É que no oitavo dia Deus fez o milagre português: um país todo de jogadores, treinadores e técnicos de bancada…
Futebol é poder feito bola de neve. Os donos da bola têm muito poder. A FIFA em certas áreas tem mais poder do que a ONU…
Sim, a vida é como uma bola de futebol - pontapé daqui, pontapé dali… Ainda há bem pouco tempo, de passagem pela ilha Terceira, dei por mim a roer as unhas e a dar alguns pontapés no ar, no café “Estado do Futebol”, ao ver a equipa da minha eleição a perder… Nos bons velhos tempos da “Venda do Francisquinho”, ali ao lado, é que era bom, pois não havia televisão... Nesse tempo ouvia-se na rádio os relatos de futebol e éramos obrigados a puxar pela imaginação…
Na consensualidade cinzentona dos nossos dias, em que todos pensam as mesmas banalidades acerca dos mesmos lugares-comuns, é bom assistir, no “Estado do Futebol” (que nasceu da janela da “Venda do Francisquinho”) a um jogo transmitido pela televisão e ouvir as mais acaloradas discussões sobre os lances do mesmo.
É disto que eu gosto. De há muito que deixei de frequentar estádios de futebol devido ao estado do futebol… Está bem, eu sei, ninguém notou.
O melhor mesmo é pedir ao Gilberto que me traga mais uma meia bola de vinho.
Memória Descritiva
Este estabelecimento licenciado desde 1970 com a categoria de mercearia e líquidos localiza-se no ponto mais central da Freguesia de S. Bartolomeu de Regatos em frente à Igreja e ao Largo onde se localiza o Império e a Casa do Povo, sendo local de passagem obrigatório naquele circuito e tendo já a tradição de apoio aos turistas, aos correios e à Banca que recentemente até já colocou uma caixa multibanco.
Dado o envelhecimento natural dos proprietários “Francisco Belerique Barcelos Ramos e sua esposa Ana Maria Bretão Azevedo Ramos” já em idade de reforma estes decidiram transferir o negócio para sua filha “Lisa Azevedo Ramos Vieira” que pretende continuar a prestar um serviço cívico à população local e melhorar as condições de negócio para que o estabelecimento se adapte a novas necessidades e dê resposta a novos anseios.
Estando na tradição deste estabelecimento a existência de uma mercearia (venda) convertida às novas modalidades de comercio pretende-se manter este uso local e criar a inovação de um espaço dedicado a produtos biológicos e bio-tradicionais, que se consigam encontrar no mercado para promoção divulgação e venda.


No sector dos líquidos sempre existiu a tradição de tertúlia característica destes pequenos meios rurais. Nesta área é evidente que a mesa de damas e dominó, os matraquilhos e, mais recentemente o bilhar estão ultrapassados.
Assim é intenção da actual gestão manter o convívio dos locais e visitantes numa área enobrecida com a introdução de novas tecnologias de entretenimento, incluindo jornais e revistas da especialidade, acesso por computador próprio à internet e rooter que permita livre acesso de portáteis com essa capacidade e sem custos para o consumidor e o aproveitamento do espaço para proporcionar aos seus visitantes degustação de petiscos relacionados com os jogos eleitos da semana a transmitir experiências gastronómicas confeccionadas a título de contactos com outras culturas de hábitos culinários ligados a eventos que irão sendo promovidos.
Aproveitando também para dar alguns exemplos pedagógicos ao nível ambiental com separação de lixos logo a partir do consumidor com pequenos ecopontos internos e onde existe a utilização de um painel solar para aquecimento de água e que, pela sua localização, certamente tem um impacto positivo na reeducação dos velhos maus hábitos característicos das nossas freguesias rurais.
Todas as obras foram feitas mantendo a tradição e estrutura do edifico limitando-se na sua quase totalidade a reconstrução, reposição e redecoração de espaços.